Nove anos de NOIA

30 nov

Finalizando com chave de ouro o ano de 2010, o Festival NOIA chega à sua 9ª edição se consolidando como um dos principais eventos do calendário da cidade.Voltado para o público universitário de todo o país interessado em música, fotografia e audiovisual , o espaço tem a missão de incentivar a profissionalização desses jovens e democratizar o acesso às produções culturais.

Mas antes de explicar o processo de produção do NOIA, saiba como ele surgiu e ganhou a proporção atual.



A ideia

Tudo par tiu da n ecessidade de um grupo universitário da UFC, todos eles da Comunicação Social, que desejavam fazer audiovisual, mas que naquele ano, em 2001, ainda inexistia qualquer experiência na área. O primeiro passo foi a criação do nome, devia ser uma palavra curta, que conseguisse refletir o pensamento do jovem na época. Depois de muitas reuniões surgiu “Nóia”, cujo idealizador foi Fabio Freire ex-jornalista do Diário do Nordeste. Pronto. Agora mãos à obra em busca de parceiros que acreditassem na idéia e que tirassem o projeto do papel.

Participaram dessa fase o extinto Instituto Dragão do Mar, a UFC o e SESC Emiliano Queiroz que foi palco da primeira edição em 2002. O NOIA começou apenas com a linguagem do audiovisual, mas já com participantes de outras regiões do país.

Daí em diante ele passa por grandes transformações, de 2003 a 2007 o Centro Cultural Dragão do Mar foi a “casa” do evento enquanto a expansão atravessou as fronteiras do Brasil, tornando-se um festival sul-americano. Surge a Mostra de Cinema Experimental, a participação de pessoas fora do âmbito acadêmico, a inclusão da categoria Animação em 2005, a exibição de videoclipes… Cada edição acompanhava as mudanças socias e midiáticas do seu tempo. As temáticas do urbano, da nacionalidade, da arte pop perpassaram a trajetória do NOIA.

Com a chegada do patrocínio da PETROBRAS, os organizadores puderam fortalecer e expandir a divulgação através de produto: jornal, banner, camiseta, cartaz, catálogo, panfleto, etc.

Só a partir da 7ª edição, quando o NOIA abandonou o contexto temático, começou o trabalho para a união das três linguagens: Cinema e Vídeo Universitário, Fotografia Universitária e Bandas Universitárias.Lembrando que as duas últimas categorias são exclusivamente cearenses. Para isso foi necessário mais espaço, ficaram a disposição então o Cine São Luis e o SESC SENAC Iracema. Em 2009 o Dragão do Mar volta a receber a Mostra. Com a recente parceria com o Governo do Estado, o NOIA pôde alcançar a Periferia da cidade, levando aos jovens carentes a possibilidade de conferir curtas metragens, documentário, e outras formas de audiovisual.

E Hoje?

Esse ano, de 14 a 18 de Dezembro, os 196 inscritos de todo o país irão exibir as suas produções. O evento que ao longo do tempo veio se realizando no mês de outubro, esse ano se apresenta no fim do ano em virtude do atraso no repasse de verbas. A seleção dos trabalhos passam por uma curadoria composta por profissionais da respectiva área. Eles somam-se a equipe de 12 pessoas que produzem as Mostras, entre coordenadores, diretores, assessores, etc.

Victor Furtado,é coordenador da categoria de Audiovisual, jovem cineasta formado pelo Curso da Escola de Audiovisual Vila das Artes de Fortaleza e já acumula alguns curtas em seu currículo com apenas 23 anos. Ele revela que mesmo com importantes incentivos como esse sendo desenvolvidos, ainda há muitos desafios para o segmento “Existe a crença ainda retógrada que deva existir uma Industria do Cinema Brasileiro, que acaba por aprisionar muito a linguagem e a capacidade criativa de muitos realizadores. A partir da crescente formação em audiovisual no país e o barateamento dos recursos tecnológicos, penso que os jovens realizadores encontrarão um caminho mais de acordo com a sua propria realidade”.

Yuri Leonardo 1º Primeiro colocado na Mostra de Fotografia Universitária 2008

Quando questionado sobre os custo de se fazer cinema ele afirma que nunca foi barato e que nunca será. Relembra o aparecimento de outras tecnologias de formação de imagem, permitir um  filme ser todo filmado em mídia celular ou câmera fotográfica. E com isso o cinema ficar mais acessível. Quanto à grande procura que há hoje dos jovens em ingressar no mercado cinematográfico, Victor ignora a possibilidade do fato banalizar o segmento  “Acredito que isso seja bom. Sou da política da aglomeração e não da segregação. Esse aumento da procura é normal. Basta pensar que se o mundo antes era texto, hoje é imagem. No encantamento pela descoberta da imagem as pessoas vão descobrindo-se como profissionais da área do cinema, seja da técnica, da pesquisa, da realização. Todos encontram seu caminho. Ou não”

Paralela às exibições e apresentações, acontecem também as oficinas com o objetivo de ser espaço de formação e produção de conhecimento.Todas elas são gratuitas,ministradas por especialistas e nessa edição são realizadas na Vila das Artes. Como forma de premiar o maior número de trabalhos possíveis, existem três formas de juri:o popular, o oficial e a menção honrosa.Desse modo, o NOIA toma um carater de “porta de entrada”, de reconhecer talentos e não apenas um concurso que julga “o melhor”.

Mais de 70% do desmatamento amazônico vira lixo

2 nov

Matéria original no Folha.Uol

Por Cláudio Angelo

Nada de móveis, portas ou cabos de vassoura. De cada dez árvores derrubadas na região amazônica, sete vão para a lata do lixo. De acordo com estudo do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a maior parte da madeira é simplesmente descartada como resíduo.

O principal problema é o processamento dessa madeira. Feito praticamente de forma artesanal e com baixa tecnologia, apenas 30% das toras é aproveitado. Essa fatia representa a parte mais nobre da árvore.

O resto, na forma de serragem e de sobras, é descartado. Segundo Niro Higuchi, coordenador da pesquisa do INPA, é fundamental melhorar o rendimento da floresta. Não basta apenas estancar o desmatamento que ainda é o principal vilão das emissões nacionais de gases de efeito estufa.

O pesquisador ainda aponta outro motivo para o baixo aproveitamento da madeira: ela é muito barata no mercado local. “É possível comprar um hectare de floresta por R$40”, disse à Folha.

De acordo com a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (AIMEX), não é bem assim. O preço médio de uma árvore varia entre R$90 e R$360, dependendo da espécie.

“A madeira aqui na Amazônia é realmente barata. Mas não é só isso. Ela é explorada de maneira desorganizada”, alerta Rosana Costa, engenheira agrônoma do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

A desorganização dessa exploração não é um problema exclusivo das grandes cidades, que transforma árvore em lixo urbano. Ela afeta também comunidades ribeirinhas – afinal, alguns núcleos incrustados na floresta sobrevivem do processamento de madeira.

Enquanto essa situação se agrava, a reformulação do Código Florestal proposto pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) tem como principal motivo de polêmica a anistia aos desmatamentos desordenados feitos até 2008.

Nessas comunidades, todo resíduo é despejado nos rios. “Na água, a serragem pode fermentar e soltar os produtos químicos que foram passados no tronco. Isso causa a morte do rio, como aconteceu no rio Trairão”, alerta Rosana.

O objetivo do INPA é reverter, em cinco anos, essa porcentagem, passando a aproveitar 70% da madeira derrubada. O aumento da produtividade acontece em duas etapas.

Na primeira, aperfeiçoa-se a técnica e a tecnologia da indústria madeireira, como o modo de cortar e as lâminas utilizadas.

Em seguida, é a vez dos resíduos. A serragem gera energia em termelétricas. E as sobras, finalmente, podem virar móveis, portas ou cabos de vassoura.

Para Niro, os resultados em laboratório foram animadores. Com isso, já foi firmado convênio com uma madeireira de Itacoatiara (região metropolitana de Manaus) e a aplicação do projeto deve começar até o fim do mês.

Fonte: UOL

 

Crianças na Luta!

13 out

Para maioria das crianças do Brasil, o dia 12 de outubro é sinal de muita diversão, brinquedos, vontades realizadas pelos pais…Mas como todos devem imaginar, esse não é o retrato fiel da infância brasileira. Basta voltar nossa atenção para a diversidade de contextos sociais que o nosso país abriga. A criança do campo, por exemplo, quais as suas necessidades e perspectivas para o futuro? Serão as mesmas da meninada da zona urbana?

É com essa reflexão que vamos conhecer um pouco da vida das crianças do Movimento Sem-Terra, os chamados “Sem-terrinhas”. Cientes da realidade completamente distinta que vivem os filhos dos assentados e acampados, as lideranças criaram um espaço especial no movimento para os futuros militantes.

Desde 1994 o mês de outubro vai além da festa e troca de presentes, é o momento chave de fortalecer a identidade da criança sem-terra despertando nela o sentido de luta pela terra e direitos como cidadão.

O objetivo principal desse trabalho é proporcionar uma educação fora dos moldes tradicionais, que respeite a realidade local e social da criançada e que estimule nela, a criatividade, senso crítico e entendimento da sua história. O sem-terrinha cresce sabendo que um direito seu primordial foi e lhe é negado, por isso, ele aprende a ser sujeito transformador dessa realidade.

Anualmente o MST promove algumas ações estratégicas voltadas para seus meninos e meninas, uma delas é a Jornada dos Sem-Terrinhas que culmina em um encontro estadual obedecendo uma pauta unificada que seja necessidade em cada estado. Lá eles socializam suas experiências, aprendizados e discutem as demandas mais urgentes como escola rural ,postos de saúde,espaços para lazer,etc. Apesar das dificuldades, outro desafio também é a elaboração de dois produtos com foco na meninada: o Jornal e a Revista das crianças sem-terrinhas.

A luta gira em torno de muitas necessidades não atendidas, porém não há como negar que a fundamental preocupação que impulsiona esse projeto, seja a garantia da educação.Durante o mês de outubro, acontece nacionalmente espaços de formação dedicados para os pequenos que aprendem e passam a conhecer a mobilização que reivindica mais escolas e políticas de educação para o campo.Hoje, de acordo com a Pesquisa Nacional das Áreas de Reforma Agrária (PNERA) os dados mostram um triste fato:mais de 95 % das crianças camponesas de até três anos e 53% dessas, de quatro a seis anos não frequentam a escola.

A iniciativa tomada pelo MST vem como medida de aliviar as intensas desigualdades sofridas pelo povo do campo.As famílias trabalhadoras que se sustentam através de atividades rurais como a agricultura e  lavoura, logo cedo se vêvem obrigadas a preparar seus filhos para complementar e garantir  uma melhor renda familiar. Dessa forma, a infância se perde entre a dura lida do trabalho precoce.

Eike Batista – O homem mais rico do país à custa de especulação

4 out

 

O Domingo Espetacular mostrou uma reportagem no final de setembro, o lado pouco conhecido do ousado e agressivo nos negócios Eike Batista. O empresário, de 53 anos, tem uma fortuna estimada em R$ 45 bilhões. Eike foi apresentado como um empresário com gosto para o luxo, mulheres bonitas e negócios de alto risco. Porém, tudo isso parece ter sido conquistado à custa de especulação econômica, desrespeito aos territórios indígenas e danos ambientais para implantação de seus grandes negócios.

 

Fonte:R7

Violação de Direitos – Comunidade tradicional de Pernambuco pode ser expulsa de seu território

9 set

Brasil – Um triste palco de injustiças.

A região de Sirinhaém  no  litoral Sul de Pernambuco  há 25 anos é alvo de conflitos entre a população de pescadores e a Usina Trapiche – produtora de álcool e açúcar. Porém, a situação, como já era de   imaginar, está ficando difícil para os moradores que lutam para garantir seu direito á terra. Hoje, 53 famílias já foram expulsas do local, sendo recolocadas na periferia da cidade em situação de extrema pobreza.Não sei se é do conhecimento de todos, mas uma área marinha possui grande potencial energético além do seu valor natural, abrigando tantas espécies aquáticas.Por esse fato, é lógico haver tanta especulação imobiliária e industrial em uma região onde a população, na maioria das vezes, não tem como comprovar de forma oficial o poder sobre àquela terra. Em regiões agrárias (isso inclui o litoral), a posse de um lugar é herdado de família, sem intermédio de burocracias jurídicas. Aproveitando-se dessa vulnerabilidade, grupos econômicos travam uma intensa batalha contra os povos tradicionais afim de expulsá-los do seu habitat utilizando o discurso de levar mais modernidade e desenvolvimento para o país…

Mas afinal, essas “melhorias” são para quem mesmo? Para uma minoria privilegiada, elitista, que apóia seu poder aquisitivo na exploração de pessoas menos favorecidas?

O desenvolvimento tão procurado por nossos governos será que nos atinge? E se este chega até nós, devemos observarr que ele acontece em detrimento de povos historicamente violentados não só físicamente mas também em sua própria cultura. Para se proteger de ataques como esses de Sirinhaém,  comunidades devidamente organizadas procuram criar centros comunitários e lideranças fortes para resistirem as ações dos empresários e dessa forma, solicitam uma RESEX para que possam continuar vivendo de forma segura no local.

Territórios da União estão sendo invadidos e tomados como propriedade privada, fique alerta!

Para ler mais sobre a matéria citada, acesse: portaldomar.org.br

Por Aby Rodrigues

Olá pessoal!!

29 ago

Olá futuros jornalistas e simpatizantes da Comunicação Social!

Esse blog chega às páginas virtuais com a missão de visibilizar o jornalismo alternativo, social e marginalizado. É o outro lado da moeda, um outro ponto de vista a partir das ações civis, sujeitos articulados e movimentos sociais que trabalham contra a maré. Percebemos a ausência de tantos fatos e denúncias que são simplesmente varridos para debaixo do tapete pelo grandes jornais, tv’s e “importantes” empresas de comunicação por conta de interesses econômicos… Por isso, torna-se urgente  a tentativa de mostrar  – para quem ainda não conhece –  uma outra lógica para nossa formação que não pode se restringir apenas ao jornalismo, mas sim que possa alcançar o sentido mais amplo da comunicação verdadeiramente social.

Sejam muito bem vindos, o blog como a ferramenta democrática que é, está aberto a críticas, sugestões e toda forma de contribuição possível, para isso, utilizem o espaço dos comentários. Abraço!